Às vezes por um momento deseja-se um braço ali, para aparar o cansaço, sentir uma quentura vindo de dentro. É saber que nessa união começa o sol. Não mais precisar deitar no chão e enrolar o cabelo pra se acalmar. Mas só ficar ali quietinho, percebendo a existência do outro e fazendo desse aconchego um lar. Creio que amar é tão mais simplório do que vejo por aí, e talvez por isso tantos não tenham encontrado de fato ainda. Por outro instante, percebe-se que se usa menos roupa, precisa de menos coisa pra comprar. É tudo completo, não há espaços a serem preenchidos por bebidas, festas, tempo em vão. Muito mais interessante umas palavras bem escritas pra descobrir junto, um suspiro de alívio por ter chegado nessa esquina que, por acaso, destino ou coisa que talvez nunca saibamos, uniu duas pessoas. Aventurar-se passa a ter nova significância. É cozinhar na madrugada, trocar uma mensagem que gerarão risos abafados no travesseiro, pular poçinhas deixadas pela chuva. Sentar no colo, dançar com uma taça de vinho na mão, ou com uma lata de cerveja no meio da sala de um metro por um metro. Pra que tanto espaço se todo o amor do mundo cabe aqui? Desfazer os nós de um cabelo passa a ser um passatempo, ou um disparador de relógios. É um pára dor. Um dispara coração. E quando se vê perdeu o dia, a hora, mas ganhou infinitamente mais. É isso: em um milésimo qualquer coisa que o outro faz dissolve o mau humor, o cansaço, a falta de cor e sabor. De repente, em um instante que só pode ser medido pelo coração ter alguém é sorrir sem mexer o lábio. Mas não é possuir. De repente é poder cair, sabendo que não vai desabar.. Amar eu acho que é saber que a luz pode não vir, mas a escuridão não vai reinar.. É sentir o pé entre o início do céu e o comecinho da eternidade.
-
simplesmenteborboleta reblogou esta postagem de sonhosdeborboleta
-
sonhosdeborboleta publicou esta postagem